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sexta-feira, 21 de maio de 2010
Mestra e Protetora
Calor em escalada
Chuva esperada
Previsões encabuladas
Sacerdócio e resignação.
Memórias entrelaçadas
Nas caatingas dos sertões
Num tempo sem distancias
De juventude e esperanças
Pela prole e a bonança.
Um velhaco montador
Nem tão ruim criador
Uma égua pé dura
Branca de boa envergadura
Enchiqueirando as miúnças
Perto do sol se pôr.
Num dia de muita água
Atrás de criação ilhada
Repisando massapé
Devido à chuvarada
Olho aceso na estrada
Mas desatento na pisada.
Uma queda na vacilada
Espatifando riacho a dentro
Até a alma atolada
Depois de muito banho
Lama de uma semana
No umbigo bem guardada.
Muito feliz e rindo à toa
No meio do desmantelo
A Vida toda molhada
Os olhos num mar salgado
Espectando temporada boa.
Humildemente aceitando
A saudação dos brotos
Revelados a flor do chão
Acima nos altos galhos
Promessa de frutificação
Alimento é abolição.
O que a enxurrada leva
A terra trás de virada
Não há chuva “marvada”
Nem sol de esturricada
É tudo cabeça de gente
Distante da compreensão.
É grande a lida do homem
Uns iletrados sobreviventes
Sem técnicas ou bom saber
Fazendo tudo o que pode
Na agricultura subsistente.
Outros letrados imprudentes
Visam primeiramente o ouro
Julgam-se independentes
Intoxicam o ambiente
Em nome do querer ter.
Ambos não se entendem
Não respeitam a Natureza
Mãe zelosa e protetora
Lecionando todo dia
Enviando os seus sinais
Nos cimentos e nos currais.
Mãe fiel mantenedora
Tudo faz prá equilibrar
Grande lar é o seu corpo
Tudo tem para o sustento
E a nossa sina é devastar.
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