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terça-feira, 10 de agosto de 2010

O Tatu


Imagem copiada da internet

Texto publicado no blog: www.jairclopes.blogspot.com em junho de 2009.
O tatu é um mamífero desdentado pequeno encouraçado, isto é, tem uma espécie de armadura que o protege contra os predadores, (em espanhol, o nome do bicho é "armadillo" que quer dizer exatamente, Encouraçado). Esta "armadura" é composta por placas ósseas muito fortes que envolvem todo o seu corpo, da cabeça até à ponta da cauda na maioria das espécies, porque em algumas o rabo é desprovido delas, é coberto de couro e tem pelos, essas espécies são chamadas Tatus-de-rabo-mole que, aliás, são erroneamente tidos como violadores de cemitérios, onde se alimentariam de cadáveres. Melhor para eles, pois assim não são abatidos para servir de refeição a ninguém. Em geral corpo do animal é castanho e pode ter variações entre o castanho claro e o amarelo acinzentado. A gravidez da mãe tatu demora mais ou menos dois meses. As crias nascem entre dois a quatro por ninhada, sendo todos gêmeos univitelinos, ou seja, todos machos ou todos fêmeas, não existem ninhadas mistas. Os filhotes do tatu nascem sem pêlos, sem dentes, sem ouvir, sem ver e com a boca tapada por uma membrana que só tem uma pequena abertura que lhes permite mamar, são completamente dependentes da mãe, depois, conforme vão crescendo, tudo muda, eles passam a ser ativos e autônomos, não mais precisam de cuidados maternos. Para fazer a sua toca, o tatu cava túneis muito profundos na terra mole da floresta ou do campo unde vive. É na toca que passa a maior parte do dia e ela é tão grande que podem morar lá vários tatus. Essas tocas têm várias entradas o que permite ao tatu evadir-se ou despistar os predadores. Mas, se o tatu passa o dia dentro da sua toca, como é que come? Bom, como é um animal noctívago (que dorme de dia e sai à noite) o tatu vai à procura de alimento depois de escurecer. Os tatus são bons caçadores porque são muito rápidos em terra firme e nadam bem. Comem insetos (principalmente formigas, cupins e suas larvas) e outros invertebrados, minhocas e alguns vegetais, como raízes, frutos, etc.
Este animal vive apenas na América, sendo que, por alguma razão desconhecida, está migrando das áreas quente onde sempre viveu para os Estados Unidos. Desde 1880 foram detectados alguns indivíduos entrando no Texas vindos do México e, de lá para cá, já foram vistos até em estados bem mais frios ao norte.
O bicho existe há milhares de anos. Fósseis encontrados em sítios arqueológicos nas Américas atestam três coisas: O animal vivia em uma vasta área, muito maior que esta que seus descendentes hoje vivem; seu antepassado pré-histórico era gigantesco, chegava a ter o tamanho de um fusquinha; e o homem paleolítico se alimentava desse antepassado grandão. Até hoje os maiores inimigos dos tatus são os homens, que gostam muito da sua carne para comer, mas também as onças e as aves de rapina.
Contudo, estes predadores nem sempre têm sorte, porque quando o tatu se sente ameaçado corre para uma de suas tocas e, o tatu-bola em particular, enrola-se todo e nenhum inimigo, a não ser o homem, consegue capturá-lo. Os tatus, tal como as preguiças e os tamanduás fazem parte de uma ordem de animais chamada "sem dentes", contudo, o engraçado é tatus e preguiças não são "banguelas", algumas espécies têm até noventa dentes. Talvez, têm este nome porque seus dentes, apesar de até serem muitos, não têm raiz, são assim como os nossos dentes de leite.
Existem várias espécies de tatus, alguns grandes como o
Tatu-canastra que é também chamado de Tatu-açu, Tatu-carreta e, tanto sua designação sistemática (giganteus) como seu nome indígena (açu) ressaltam bem o fato de ser o maior dos tatus vivos, pode medir um metro de comprimento do focinho até a ponta da cauda, e chega a pesar sessenta quilos. Seu corpo, quase totalmente desprovido de pêlos, apresenta alguns fios duros, esparsos, que aparecem entre as placas do seu revestimento. É o maior e mais raro dos tatus vivos e é um bicho que só briga quando inevitável. Por causa de sua carne saborosa e armadura resistente, hoje é raríssimo nas diversas regiões brasileiras onde ocorria. Vive na Floresta Amazônica e trechos de Mato Grosso, longe de zonas povoadas.
Este animal vive muito mal em cativeiro, por isso é difícil encontrá-lo em zoológicos. Ele faz parte dos 207 espécies de animais que estão ameaçados de extinção, apesar de serem protegidos por lei. Outra espécie curiosa desse animal é o
Tatu-bola, que é o menor tatu brasileiro, o único tatu endêmico, isto é, que existe apenas no nosso país e o mais ameaçado, porque, como não cava bem como os outros tatus, é mais fácil de ser caçado na região de seca, onde há pouca comida. Para se defender, esse tatu se enrola completamente, formando uma bola, daí o nome popular, e o rabo e a cabeça se adaptam como num quebra-cabeça, protegendo o corpo do tatu, o que não o defende do homem, porém, porque fica fácil pegar a bola que é o tatu e enfiar num saco. Por ser ainda muito caçado, o tatu-bola desapareceu em Sergipe e no Ceará, mas ainda existe na Bahia, Pernambuco, Alagoas, Paraíba, Piauí e Rio Grande do Norte, nas regiões ainda despovoadas. Apesar de protegido por lei, esse animalzinho é caçado até dentro do Parque Nacional da Serra da Capivara e da Estação Ecológica do Raso da Catarina, áreas de conservação, onde no passado o tatu-bola existia em quantidade. Nas Américas há 21 espécies desse desdentado noturno, diferentes no tamanho e nos habitats. O Tatu-de-nove-faixas, também conhecido como tatu galinha, é muito difundido desde a América do Sul até a região central dos Estados Unidos para onde migrou, conforme dissemos acima. Para salvar o tatu, os cientistas estão propondo estudos para criação em cativeiro e principalmente programas de educação ambiental para a população da área onde ainda sobrevivem esses animais. O problema é que esses bichos vivem, justamente, em regiões onde caboclos com fome, ou por hábito mesmo, não deixam de caçar os tatus para comê-los, se tiverem oportunidade.
Outra coisa é que os tatus são animais que não se adaptam a quaisquer mudanças de ambiente, se o local em que vivem se deteriora por ação do homem eles desaparecem. Finalmente, gostaria de viver num mundo em que meus netos pudessem conhecer essa criatura ambientalmente sensível, tímida e tão interessante. Acredito que sua perpetuação forneceria a prova que vivemos num planeta viável. JAIR, Canoas, 14/06/09.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Coleópteros




Composição fotográfica feita pelo autor.



Texto publicado no blog: www.jairclopes.blogspot.com em abril de 2009.

Coleópteros são insetos da ordem Coleoptera cuja característica mais notável é aquela carapaça lustrosa, muitas vezes bem colorida que cobre as asas delicadas, protegendo-as. Essa carapaça ou casquinha, chamada élitro, contribui para a estética do bicho e suas cores e padrões podem definir a espécie ou variedade a qual o inseto pertence. Todos os besouros, joaninhas, vaquinhas, carochinhas, gorgulhos, cascudinhos, escaravelhos, carunchos, brocas ou qualquer nome que se dê a esses insetos blindados, são coleópteros. Esses bichos são extremamente bem adaptados aos diversos climas e variedade de ambientes, de forma que vivem em desertos, planícies, matas ciliares, rios, lagos, praias, mangues, montanhas, florestas tropicais e temperadas, pântanos, campos e quaisquer outros nichos ecológicos imagináveis de todos os continentes com exceção da Antártida. Grande parte das pragas que atacam as lavouras são coleópteros, quer insetos adultos, quer suas larvas. Assim, nos acostumamos associar esses bichos com danos que eventualmente eles nos causam e os temos na conta de inimigos públicos, para dizer o menos. Entretanto, essa idéia de perversidade ligada ao inseto não se traduz em números, das 350 mil espécies conhecidas de coleópteros, apenas algumas dezenas, efetivamente, ocupam-se em atacar os cultivares desenvolvidos para alimentação humana, a esmagadora maioria é inocente, ou seja, trata-se de insetos inofensivos que só estão preocupados com a reprodução, alimentação e modus vivendi lá deles, sem tomar conhecimento que na superfície do planeta em que vivem, existe um tal de homo sapiens, seja lá o que isso for ou represente para sua própria existência. Outras tantas espécies podem ser bonitas, úteis, curiosas, muito grandes, muito pequenas, ignoradas, feias, bizarras, estranhas ou indiferentes, mas não molestam o ser humano. A Joaninha é um exemplo de animal bonito e útil – quem durante a infância não apreciou a beleza colorida da carapaça pintalgada de uma joaninha? As joaninhas são predadores no mundo dos insetos e alimentam-se de afídeos, moscas-da-fruta e outros tipos de insetos. Uma vez que a maioria das suas presas causa estragos às colheitas e plantações, as joaninhas, o mais das vezes, são consideradas benéficas pelos agricultores. O Besouro vira-bosta ou escaravelho é exemplo de animal útil também: é um bichinho de cerca de 4 centímetros de cor verde metálica ou marrom, que tem como característica o hábito de fazer uma bola de excrementos de animais, principalmente de cavalo, a qual costuma rolar até um local onde, junto com a fêmea, que põe ovos sobre a bola, enterra e deixa para as larvas que nascerem se alimentarem. Essa bolas servem de adubo para a terra onde se encontram. O Besouro bombardeiro é o típico animal curioso: Vivendo na superfície da terra este besouro passa a maior parte do tempo se escondendo entre raízes de árvores ou debaixo de pedras. Sendo um animal carnívoro, gosta de comer insetos de corpo mole e moluscos como lagartas e caracóis, sendo muito veloz para alcançar sua presa. O nome de bombardeiro se dá ao fato de que quando se sente ameaçado bombardeia, em qualquer direção em que se encontre seu predador, com o jato de um líquido que sai do seu abdome. Este líquido sai e provoca uma espécie de fumaça azulada produzindo um barulho alto assustando deste modo o inimigo. Esse líquido expelido sai fervendo e com um cheiro bastante forte e desagradável, podendo provocar queimaduras em outros insetos. Na pele humana só causa uma leve ardência. O Besouro gigante é bizzarro, não só é o maior besouro como também é o maior inseto do mundo. Além ser o maior inseto em peso, também é o maior invertebrado voador. Vive na Floresta Amazônica e se alimenta de material orgânico em decomposição no solo úmido. Pode chegar até a 22 centímetros de comprimento, é maior do que a mão de um homem adulto, e pesar cerca de 70 gramas. Em matéria de periculosidade também os coleópteros estão bem representados. O Besouro venenoso medindo de um dois centímetros vive no sul e centro da Europa, Sibéria e América do Norte. Começa a aparecer na Europa durante o verão. A fêmea põe seus ovos próximos às colméias, pois quando os filhotes nascem entram no ninho das abelhas. Lá dentro sofrem uma transformação, soltam a pele e viram larvas minúsculas que passam a se alimentar das larvas das abelhas. Além de exalar um cheiro muito forte, para que os predadores não se aproximem, eles soltam um veneno que queima a pele formando bolhas. Insetos considerados dos mais venenosos que existem. Outro coleóptero muito interessante é o Besouro Serrador, este bicho costuma fazer um corte bem definido em torno de um galho, o qual derruba e no qual a fêmea deposita ovos que, ao eclodirem, geram larvas que se alimentarão da madeira do galho. O Vaga-lume ou pirilampo também é um coleóptero dos mais estranhos. Com seu corpo frágil, cor de terra, a fêmea do vaga-lume pode somente arrastar-se no chão. Como ela faz para chamar a atenção dos machos alados que zumbem no ar quente da noite? Para compensar a falta de asas, desenvolveu algo muito especial: pequenas glândulas que segregam luciferina, uma substância que em determinadas condições se torna luminescente. A luz verde é o sinal para que o macho interrompa seu balé aéreo e venha juntar-se à fêmea. Essa diferenciação tão marcada entre os sexos é rara entre os coleópteros. Na maioria das espécies de pirilampos ambos os sexos são alados e luminescentes, e o macho atrai as fêmeas com suas luzes pisca-pisca. Este processo é chamado de "oxidação biológica" e permite que a energia química seja convertida em energia luminosa sem a produção de calor. As luzes têm diferentes cores, pois variam de espécie para espécie e nos insetos adultos facilitam a atração sexual. Os lampejos equivalem ao início do namoro: são códigos para atrair o sexo oposto. Mas a luminescência também pode ser usada como instrumento de defesa ou para atrair a caça. De todos os coleópteros o Vaga-lume talvez seja o mais exótico de todos. Bem, considerando esse multimilenar universo de seres pequenos, podemos facilmente escolher os coleópteros como os representantes mais formidáveis dos insetos pela sua espantosa variedade, pela diversidade de suas aptidões e pela beleza de seus coloridos. JAIR, Floripa, 12/04/09.

sábado, 12 de junho de 2010

Capivaras no asfalto


Imagem copiada da internet.



Texto publicado no blog: www.jairclopes.blogspot.com em fevereiro de 2009.

A respeito de comentários em meu texto sobre o jacaré, o que surpreende é a obstinação que tem a vida em continuar se mantendo a despeito das múltiplas condições adversas as quais, dentro do que supõe a ciência, tornam impossível sua existência. O homem, na sua arrogância e egoísmo, deteriora ou ocupa todos os ambientes possíveis de modo a torná-los extremamente hostis ou inabitáveis para os demais seres, animais ou vegetais. Assim, os seres que não se extinguem ou não se mudam têm que se adaptar aos novos ambientes criados por esse concorrente irracional e covarde.

São Paulo, a maior metrópole do país, é exemplo claro dessa lambança humana e da versatilidade que as demais espécies são obrigadas a ter para não sumirem da face da terra. O Tietê é considerado um dos mais poluídos rios do planeta e, no entanto, além de jacarés que, vez ou outra lá são encontrados, também é habitado por capivaras e sou testemunha desse fato. Não longe do aeroporto de Guarulhos existe um pequeno riacho, chamado rio Jequié, que é tributário do Tietê e, como tal, é tão poluído como ele.

Pois bem, sobem pela calha desse riacho CAPIVARAS, (Hydrochoerus hydrochoeris) famílias numerosas delas, vindas, comprovadamente, do Parque Ecológico do Tietê, às suas margens ali perto. Como próximo ao aeroporto existem pequenos lagos remanescentes da época em que ali eram numerosas as olarias, esses lagos nada mais são do que buracos cheios d'água deixados por essas fábricas de tijolos. As capivaras oriundas do parque adotam esses laguinhos como lares, ficam pastando nas margens e são visíveis para quem passa para o Aeroporto ou vem de lá.

Como não são perturbadas e não possuem predadores naturais na área, multiplicam-se de maneira assombrosa, a ponto da INFRAERO, através de seu Departamento de Controle Animal, ter que, periodicamente, "despovoar" parcialmente os locais, porque os animais oferecem perigo aos pousos e decolagens de aeronaves. Antes que algum defensor da natureza mais exaltado vá com quatro pedras para cima da INFRAERO explico: despovoar significa capturar e transferir os roedores para lugares próprios onde eles fiquem longe dos humanos e seus afazeres. Numa ocasião, de madrugada como sempre fazíamos, estávamos indo do hotel para o aeroporto num ônibus pequeno quando, subitamente, sofremos um tranco, como se tivéssemos atropelado alguém ou alguma coisa; o motorista parou de imediato assustado: - Atropelei um cachorro! Descemos para verificar e ficamos surpresos. Ele havia atropelado uma capivara que, depois de pesada, constatou-se ter sessenta e poucos quilos, uma capivara bem grande!

Lembrando de nossa infância lá no interior do Paraná, no meio dos "mato" como se dizia, onde nunca vimos uma capivara; onde apenas se ouvia falar desse bicho que era selvagem e extremamente raro, que, na nossa concepção só existia no Mato Grosso, fica ainda mais estranho encontrá-las em plena maior metrópole do país. Significa que esses animais conseguiram resolver satisfatoriamente a equação adaptar-se versus extinguir-se; conseguiram, com um tão desconhecido quanto inusitado jogo de cintura, adaptar seu modus vivendi para um ambiente tão adverso que até do seu criador, o Homo sapiens, ele cobra um preço elevadíssimo pela sobrevivência. Capivaras no asfalto são uma realidade, se não houver uma interferência cruel do homem, esses animais vão continuar por muito tempo a tocar suas vidas de zoofavelados urbanos ao nosso lado. Quem viver verá! JAIR, Floripa, 28/02/09.

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