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quarta-feira, 27 de abril de 2011

Trono de um Rei?


Sou um rei que destrói. Que rei sou eu?


Não é preciso ir longe para ver coisas assim. Fiz essa e outras fotos nas proximidades de Brasília. Veja os posts 'Imagens da Mata I'  e 'Imagens da Mata II'. Nossas matas desaparecem a olhos vistos. O que podemos fazer para ao menos minimizar isto?

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Nota: Post publicado no início de março deste ano no blog Multivias - A Natureza em Fotos e Variedades.

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domingo, 17 de abril de 2011

O Cavoucador



Texto publicado no blog www.jairclopes.blogspot.com em 20/03/11.

(Uma homenagem a Mia Couto, escritor moçambicano)

Estranhamente era a primeira vez que Joel e eu andávamos por aquelas lonjuras, não nos déramos conta do quando tínhamos caminhado até chegar num local cuja feição fugia às familiares parecenças dos campos vizinhos à Cidade, nossos conhecidos desde sempre. Aqui, o verdoengo dos Campos Gerais dera lugar a um castanho de terra sem viço, árida mesmo. Só capim ralinho se dava ao trabalho de tentar cobrir aquele chão seco que rangia debaixo de nossos pés, pisoteantes cansados. Morros e morrotes ondulantes se viam até não mais ver, num semsentido de repetições contínuas.

Distraídos, proseávamos papo sem fundos quando ruídos subitantes interrompem nossa conversa desprevenida, pareciam vozes trás o pequeno monte, logo à nossa frente. Subimos com cuidado, meio receosos. Era um homem que, do outro lado do morrinho, cavava um imenso buraco, resfolegando com fúria insana sobre a terra crestada e renitente. A estranha cova era muito funda e encompridada de forma que era impossível ver onde iniciava, se é que tinha uma origem. Parecia que o cavoucador queria repartir o Planeta ao meio, coisa estranhosa.

Gritamos, solicitando-lhe atenção. Do fundo do buraco o esquisito homem, também um tanto surpreso com nossa aparição desanunciada, pediu que esperássemos. Veio subindo de vagarinho com cuidado de mestre que acarinha sua obra primorosa. Ao se aproximar, talvez enxergando a interrogação em nossos semblantes, em nossas bocas em forma de “O”, esclarece: - Estou construindo um rio. Não podíamos ficar mais boquiabertos, mas o homem, sem qualquer sinal que estivesse pilheriando, insiste. Sim, por aquele leito afundado e comprido haveria de passar um rio, para isso só faltaria água. E todos sabemos, não se fabrica água, esta vem do céu. As águas encheriam o rio que escorreria pujante até o oceano distanciado, carregando peixes e barcos. As gentes ribeirinhas agradecidas e esperançosas em suas vidas aguadas, festejariam felizes para sempre.

Era um sonhador tão seguro de seus sonhos que havia começado a cavoucar no terreno de sua própria casa. Sua família, estranhando aquela conduta insensata, o deixara, mas nem por isso ele desistira de seu onírico sonho, cada dia mais cavava e mais tinha certeza de seu propositório: um rio ali nasceria, era uma verdade cruenta. - Já posso ver um fiozinho de água que surge tímido lá no fundo, dizia-nos euforizado. O sujeito desafiava a ordem bem ordenada das coisas que a natureza havia criado. Não desistia, cavando dia e noite, só parando para dormir, havia transposto vales e colinas, vencido barrancos e ali estava, frajolento. Seu “rio” tomava forma, sua obra entrara nos arremates. Agora, cansado, sentado à borda, cuidava com orgulho de sua criação, achava que dobrou a natureza, sente-se o mais realizado dos viventes vivos.

Aquilo nos pareceu um projeto muito louco, não era factível trazer à vida um rio daquela forma. Construir rios! Onde já se viu tamanho despautério assim herético! Para nós era hora de deixar para trás aquela necedade e voltar sobre nossas passadas até onde não existem pessoas doidas daquele jeito desatinado. Não déramos ainda dois passos e o céu se fechou em nuvens enfarruscadas e raiventas. Começa uma tempestade torrencial que parece oriunda da liquefação do teto que chamamos de céu. A borrasca assoma com violência inusitada, relâmpagos relampejam açoitando a paisagem indefesa. Sem haver como nos abrigar da catadupa que arremeteu diluviando sobre todos e sobre tudo, ficamos parados vendo a enxurrada que se formava. Nos ajuntamos, a medo, tremendo, no derradeiro e final gesto dos que estão a mercê dos elementos exaltados, ameaçadores.

De repente, o homem nos aponta o valão que se enchia, as vagas furiosas encontraram aquele leito vago e o tornaram ancho em minutos mínimos. O escavador ergue os braços para cima como se querendo agradecer àquelas nuvens ubérrimas que lhe haviam completado a obra primeira. Corre desabridado em direção ao seu redivivo rio e se lança naquelas águas corcoveantes e maldosas. É a última vez que o vemos.

Em seguida, a virulenta chuvarada cessa e o curso d’água, já mais conformado ao leito que o contém, avança decidido e marulhante com fluidez oleosa em direção ao horizonte longínquo. O cavoucador havia construído um rio. JAIR, Floripa, 15/03/11.

sábado, 26 de março de 2011

Não existe almoço grátis



Ilustração da internet
Texto publicado no blog: www.jairclopes.blogspot.com em 10/03/11.

Muito bem, durante a crise do petróleo nos anos setenta, crise que assustou o público consumidor do produto e despertou a consciência das nações para o quanto eram dependentes do óleo extraído, em maior parte, de uma região instável politicamente e conflagrada por guerras recorrentes, o mundo ocidental não auto-suficiente se viu compulsado a adotar medidas que permitissem diminuir ou eliminar sua dependência do óleo oriundo do Oriente Médio.

Fora as pirotecnias demagógicas que muitos líderes adotaram como recomendar aos usuários que deixassem seus carros em casa, andassem de bicicleta ou a pé, houve medidas econômicas como aumentar o preço dos combustíveis de modo a tornar proibitivo que os mais pobres usassem seus veículos. A indústria automotiva botou a boca no trombone, ameaçou fechar muitas fábricas, – em alguns casos fechou mesmo – demitir gente e lembrou que isso diminuiria a arrecadação de impostos. Os governos acuados recuaram o mais das vezes, e tomaram medidas para buscar novas jazidas do produto ou fontes alternativas antes desprezadas. No Brasil intensificaram-se os investimentos na prospecção do óleo e, ao mesmo tempo, procurou-se aperfeiçoar tecnologia que permitisse uso do álcool como combustível de automóveis.

Como pioneiro na conversão de motores ao consumo de álcool, o principal problema das autoridades foi estimular os ricos usineiros a destinar partes substanciais de suas colheitas à produção do álcool combustível (etanol). Enquanto o governo promovia estudos econômicos para a produção em grande escala, oferecendo tecnologia e até mesmo subsídios às usinas produtoras de açúcar e álcool, as indústrias automobilísticas instaladas no Brasil na época - Volkswagen, Fiat, Ford e General Motors - adaptavam seus motores para receber o etanol. Daí, surgiriam duas versões no mercado: motor a álcool e a gasolina. Veja bem, DUAS versões de motores, versões diferentes porque álcool e gasolina são quimicamente diferentes e, como tal, NÃO PODEM queimar plenamente e, em consequência, fornecer plenamente seu potencial energético no mesmo motor. A engenharia mecânica, considerando que o álcool tem maior poder calórico e que o equilíbrio estequiométrico da gasolina é diferente do álcool, resolveu a adaptação ao álcool aumentando a taxa de compressão, desenvolvendo uma vela de ignição melhor, substituindo o óleo lubrificando por outro de melhor performance, mudando os materiais empregados na confecção de mangueiras, protegendo todas as partes que entram em contato com o novo combustível de forma que este não causasse corrosão. Algumas dessas adaptações podem ser consideradas perfunctórias e não alteram a queima da gasolina, outras melhoram o desempenho, mas a mais importante e irretorquível foi o aumento da taxa de compressão do motor. O etanol exige um taxa maior, sem a qual sua queima é imperfeita e fornece menos potência. Em contrapartida, a gasolina exige uma taxa menor, sem a qual sua queima é imperfeita e fornece menos potência. Um motor bicombustível é, no mínimo, uma máquina desequilibrada que fornece menos potência por litro de combustível queimado e, na pior das projeções, uma trapizonga construída para atender motivos econômicos-políticos inconfessáveis com disfarce de “bom mocismo” preocupado com o meio ambiente. Para lembrar, esses carros não poluem menos que os demais.

Então, caros proprietários de carros chamados flex, coloquem suas barbas de molho, como a história prova que não existe almoço grátis, é possível que os senhores estejam dirigindo carroças que terão a vida útil do motor diminuída em função desse milagre na forma de máquina que queima dois combustíveis tão diferentes e inconciliáveis. Devo esclarecer que faço essa advertência porque minha formação e prática de quarenta anos em mecânica me permitem dizer que ninguém conseguiu explicar essa maravilha de motor, essa entidade extraordinária que tem o dom da dualidade, que consegue extrair potência de dois comburentes discordantes. Para consolo dos usuários, existe o benefício do uso de um dos combustíveis sempre que o preço do outro não compensar, sempre que a relação de um para outro favoreça um dos dois, mas a problemática mecânica talvez não compense essa vantagem. Para não deixar dúvidas, devo dizer que meu carro é a gasolina, não sou contra carros a álcool e motores movidos a gás são tão bons quanto aos movidos a gasolina, afinal ambos são hidrocarbonetos, mas jamais compraria um carro flex. JAIR, Floripa, 21/02/11

terça-feira, 22 de março de 2011

Aceroleira, Uma Fábrica de Vitamina C


Post publicado em 24 de maio de 2009, na Via Verde do blog Multivias - A Natureza em Fotos e Variedades.
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Imaginem uma frutífera de porte médio, com mais ou menos três metros de altura, toda verdinha. Como surgindo do nada começam a aparecer pequenos botões rosa que se abrem em flores.


Flores lilases, com o centro amarelo. Em alguns dias você tem uma pequena árvore toda colorida.



Estou falando de uma 'fábrica' de vitamina C chamada aceroleira.


Logo as flores se transformam em mini frutos verdes. Aí você tem de um verde claro - dos frutos, até um verde médio escuro - das folhas, ou seja, ton sur ton, todo pontilhado de rosa, lilás e amarelo.

Os frutinhos crescem, passando do verde ao rosa e depois se pintam de vermelho. Quando maduros ficam com um chamativo vermelho vivo, dançando ao vento e se mostrando. E você, sorridente, começa a colhê-los e a saboreá-los. Que delícia.



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Acerola, aceroleira. É também chamada de cereja das Antilhas. Nativa da América Central, América do Sul e das ilhas do Caribe. Além de um grande teor em vitamina C - com apenas duas acerolas supre-se a necessidade diária dessa vitamina - possui também vitamina A, B1, B2, B3, fósforo e ferro.*
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Então, vamos plantar e colher vitamina C?


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Fotos feitas durante o florir e o frutificar de minha aceroleira.
*Fonte sobre as vitaminas encontradas na acerola: http://www.brasilescola.com/
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quinta-feira, 17 de março de 2011

Sobre escolas



Texto publicado no blog: www.jairclopes.blogspot.com em janeiro de 2011.

Assim que a humanidade chegou ao estágio de aglomerações sociais, sejam cidades ou aldeias expandidas, as necessidades de serviços impuseram a aparição de artesãos, escribas e prestadores de serviços, sem os quais as demandas das pessoas deixariam de ser atendidas. É racional supor que os primeiros sapateiros, roupeiros, chapeleiros, barbeiros, peleteiros e inúmeros outros artífices tenham desenvolvido suas habilidades a partir de experimentos e observações próprias. Contudo, na medida em que as necessidades materiais e intelectuais das pessoas se tornavam maiores, mais refinadas e complexas, os mais habilidosos artesãos se viam na contingência de não conseguir atender a todos, tornava-se necessário formar novos trabalhadores para satisfazer tantos consumidores. Há registro que até Leonardo da Vinci instituiu uma “escola” na qual ensinava seus discípulos nas artes e ciências que era mestre inconteste e auto didata. Mestre, esta é palavra chave. Quando um artesão, por sua habilidade e experiência, adquiria excelência no que fazia, costumava ser classificado como mestre. Era privilégio que poucos pretendentes conseguiam: Serem admitidos na oficina ou atelier de um mestre.

Escolas não surgiram ad hoc, por capricho de alguns governantes generosos ou por diletantismo de mestres entediados, escolas foram respostas às necessidades imperiosas das sociedades. A própria escrita, que fora privilégio de castas sacerdotais ou de escribas das cortes durantes séculos, passou a ser ensinada em escolas. Não se pode afirmar que escolas tenham se tornado populares tão logo passaram a existir, admite-se que foram privilégios de poucos, geralmente nobres, os quais se viam sob a tutela de mestres que os introduziam nas artes e ciências milenares. Contudo, há evidências que no Egito antigo, na Suméria, na Mesopotâmia e até entre Astecas e Incas, tenha havido locais destinados a ministrar aos jovens matérias de interesse que os tornassem conhecedores capazes, úteis à sociedade.

Não é estultice afirmar que civilização e escolas têm relações tão estreitas que é inconcebível existir uma sem a contrapartida da outra. Aliás, no mundo moderno, a qualidade do ensino e a quantidade de escolas estão relacionadas diretamente ao nível de desenvolvimento das sociedades e à qualidade de vida das populações. A humanidade só pode se afirmar civilizada com o advento de escolas. Impensável admitir algo diferente dessa ligação poderosa e formadora do que veio a ser o diferencial do homem com relação a seus parentes primatas: Um cérebro inteligente organizado. A inteligência por si só, não organizada, é apenas um potencial a ser explorado. A inteligência necessita orientar-se com método e organizar-se segundo conhecimentos já consagrados para conduzir seu dono a descobertas e lucubrações utilizáveis. As escolas, numa concepção ideal, não devem apenas ensinar, apenas colocar na cabeça dos jovens conhecimentos estáticos, deve propor aos aprendizes modos de pensar sobre as coisas, deve estimular o pensamento criativo e abstrato.

No mundo atual escolas estão disseminadas em todas as culturas e todas as nações, mesmo nos países mais pobres escolas são entendidas como fatores essenciais para manter o tecido social sadio, não há substituto que mantenha a coesão social de um povo. As trevas do desconhecimento são o que há de mais pernicioso numa sociedade, escolas são como faróis que iluminam o caminho a seguir rumo à segurança de um futuro onde as pessoas possam explorar o potencial de suas habilidades e de seus cérebros organizados. Déspotas, ditadores e mandatários autocráticos, se não forem muito obtusos, percebem que escolas tendem a permitir que seus súditos pensem, e, pensando, pode ser que eles não concordem com a opressão. Por isso, o mais das vezes, esses mandantes ilegítimos e prepotentes limitam o acesso do povo às escolas. Povo ignorante é povo controlável.

Um exemplo clássico do poder extraordinário do ensino numa sociedade se deu depois da segunda guerra, quando Alemanha e Japão emergiram quase que reduzidos à idade medieval, seus parques industriais e infra estruturas estavam totalmente destruídos. Na Alemanha o pouco que havia restado de suas indústrias fora desmontado e levado pelos russos, a título de “reparações” de guerra; no Japão os bombardeios convencionais americanos e as bombas atômicas haviam reduzido a zero suas instalações, de modo que não havia por onde começar a produção tão necessária à recuperação econômica. Contudo, tanto no Oriente como na Europa central, existiam em abundância escolas e professores, e na população que sobrevivera à guerra havia milhares de técnicos e formados em universidades capazes de alavancar o progresso, como se viu no surto de desenvolvimento que se seguiu à derrota. As escolas haviam feito a diferença. O Plano Marshall e o Plano de Recuperação Econômica instituídos pelos americanos, apenas ofereceram capital onde existiam cérebros prontos a trabalhar, o resultado foi o maior boom econômico da história e duas potências industriais que se impõe até hoje.

Ouso dizer que no Brasil nunca houve preocupação séria com o futuro, nunca se investiu pesado na construção de escolas, formação de professores e numa política educacional que valorizasse a carreira de mestres desde o ensino básico até o universitário. Construir estradas (ruins) e apostar na indústria automobilística constituiu objetivo prioritário de nossos governantes desde que o país entrou na era industrial tardia, escolas e professores não entraram seriamente na lista de temas políticos das campanhas desde o advento da República.

Com surgimento da internet e a disseminação da informática por todos os setores da sociedade, muitos administradores, políticos e educadores estão certos que a escola passou a ter uma importância secundária na educação de nossos jovens. É quase implícito admitir que os meios eletrônicos que adentram os lares substituem com vantagem as escolas. A estupidez desse raciocínio é tão piramidal que não merece nem ser comentada. JAIR, Matinhos, 31/12/11.

domingo, 6 de março de 2011

Gentileza


Ilustração obtida na internet.
Texto publicado no blog: www.jairclopes.blogspot.com em 08/01/11.

O Homo sapiens não optou por viver em comunidades, em aglomerar-se em aldeias e cidades por mero diletantismo, a necessidade o compulsou. O homem é um ser social porque isolado ele não sobreviveria, os grupos representam segurança, a força da união de muitos seres é maior que a soma de cada força individual. Então, a despeito das diferenças desagregadoras que geram atritos, às vezes fatais, a convivência traz tantas vantagens que é inimaginável pensar no homem isolado de seus semelhantes.

Contudo, a opção – se é que não foi uma imposição natural – pela vida em grupo teve que ser adaptada às idiossincrasias dos seres que compõe esses agrupamentos. As primeiras organizações sentiram que regras deviam pautar as relações individuais sem comprometer a coesão grupal: nasceram as leis, estatutos e regulamentos, porquanto anarquia não era uma opção. Ao lado da regulamentação legal admitida por consenso, ou imposta por mandantes, outras regras não escritas foram surgindo espontaneamente. Muito obrigado, com licença, por favor, bom dia, como vai? e outras expressões são manifestações verbais do comportamento humano que atendem pelo nome genérico de gentileza. A gentileza é o conjunto de atitudes convencionais essencial para a sobrevivência da espécie nas suas relações, na medida em que “lubrifica” as peças da máquina social evitando ou diminuindo o atrito que pode emperrar o mecanismo. E tem mais, o profeta paulista que vivia nas ruas do Rio, José Datrino, (1917-1996) enxergou mais longe e vaticinou: Gentileza gera gentileza. Assim, um mero bom dia pode prenunciar uma jornada diária de boas relações entre indivíduos que devem conviver, ou que estão, de alguma forma, confinados num espaço que os torne próximos ou ao alcance da visão uns dos outros.

Tendo observado a sociedade americana nas viagens que fiz aos EUA, ouso afirmar que o cidadão americano é muito mais gentil que o brasileiro, em que pese a afirmação de certos sociólogos que o brasileiro é um povo gentil. Thank You é uma expressão muito mais ouvida lá do que muito obrigado aqui. Não sei dizer se existe qualquer estudo mostrando que onde impera a gentileza as pessoas são menos estressadas e mais produtivas, mas estou fortemente inclinado a admitir que possa ser uma explicação porque há países em que as relações entre indivíduos se traduzem em progresso e bem estar da maioria da população. Os países escandinavos, conhecidos pelo seu regime de leis que instituem o capitalismo social e pelo nível de satisfação de seus cidadãos, estão entre os países cuja população é a mais gentil do Planeta. É uma questão para ser pensado por nós, cidadãos desse país tropical bonito por natureza.

Que o trânsito citadino de nossas urbes é um caos todos sabemos, entretanto, o ícone mais gritante de nossa falta de gentileza está na ausência de uso da seta por parte dos motoristas. Pode parecer meio esquisito, mas é justamente a falta de indicação da direção que o motorista vai tomar que mostra nosso desprezo pelas regras de trânsito e nossa falta de respeito pelo pedestre quando dirigimos. O uso da seta, antes de obedecer regra escrita de bem dirigir, é um ato de gentileza para com outros motoristas e, sobretudo para o pedestre. Lembrando que todos somos pedestres antes de sermos motoristas, a gentileza de avisarmos nossa intenção no volante é uma cordialidade que deveríamos observar como regra pétrea. A mente do motorista brasileiro funciona mais ou menos assim: ninguém está olhando, então não há regras, dirijo como quero. A par dessa atitude obscurantista e não explicável do motorista que não liga para as demais pessoas, sejam pedestres ou outros motoristas, existe uma curiosidade digna de ser registrada: o motorista sempre avisa o ocupante de outro carro se este estiver com a porta semi aberta ou não travada. É uma regra não escrita observada pela totalidade dos motoristas, aliás, pode ser que o motorista avisado seja o mesmo que sofreu uma fechada momentos antes, ou fechou o avisante pouco tempo atrás. Parece que, “sua porta está aberta” redime o chofer de todos os pecados que tenha cometido no trânsito até então.

Pois é, num mundo ideal, o comportamento das pessoas assumiria a gentileza como atitude basilar no relacionamento com seus semelhantes. Em decorrência, no trânsito ou no dia-a-dia, com toda certeza, teríamos muito menos atritos e acidentes. A irritação e o estresse diário que muitos de nós carregamos como um peso morto que oprime e baixa nossa qualidade de vida, seriam coisas do passado e o mundo passaria a ser um lugar mais agradável de se viver. Gentileza gera gentileza é um bom mote para pautarmos nossas atitudes diárias de convívio com nossos iguais. JAIR, Matinhos, 01/01/11

quarta-feira, 2 de março de 2011

Sos Rios do Brasil

Jarmuth de Oliveira Andrade, Professor, Físico e Ambientalista mereceu homenagem  no GUIACAMPOS.COM e também no SOS NASCENTES DO RIO PIRACANJUBA pelo seu lindo trabalho em prol de nossas águas. Vale a pena visitar seu blog SOS RIOS DO BRASIL que fez aniversário em 28 de fevereiro.

Tem como vocação cuidar do meio ambiente, em especial de nossos rios, praias e oceanos. É um mestre que vive educando com seu exemplo!


As imagens foram copiadas do blog SOS RIOS DO BRASIL

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Codornas


Codornas são pássaros da espécie Coturnix da família das galinhas mesmo, aqui no Brasil costuma-se criar as européias chamadas codornas italianas, cuja carne é deliciosa e ovos, comidos como aperitivo, têm fama de afrodisíacos, mas em nossos campos, principalmente no sul do país, existem-nas em estado selvagem, cobiçadas presas de caçadores destituídos de consciência ecológica. Pois é, minha Palmeira natal era cercada por campos gerais, grande parte em estado natural, nos quais as codornas encontravam o hábitat ideal para se reproduzirem sem maiores transtornos, ou seja, viviam sem serem perturbadas por ninguém ou por criações de gados que pisassem em seus ninhos. Quer dizer, essa condição ideal, embora sendo regra naquele tempo, não livrava as pobres aves das exceções que as transformavam de pássaros livres em jantar de algum palmeirense com uma arma na mão e um cachorro perdigueiro no chão. Inclusive um tio meu que era caçador afamado até que se deu conta que as aves também tinham direito à vida e deixou a caça para sempre.

Como já tive oportunidade de dizer no texto “A Cetra”, nunca matei um pássaro, não tenho na consciência o peso de ter tirado a vida de qualquer avezinha dessas que a natureza criou para voarem e embelezarem os céus ou adornarem as árvores como se fossem frutos coloridos, pulsantes e cantadores. Contudo, o mundo que queremos, ou aquele mundo utópico onde todas as coisas estão nos seus lugares, onde as relações entre os seres que nele vivem não contemplam a extinção de uns para benefício de outros, não existe, o mundo que vivemos é cruel, foge do modelo edênico. As codornas que habitavam os campos que rodeavam Palmeira tornaram-se provas da iniquidade do Homo sapiens, o qual tantas vezes se arroga produto supremo da Entidade que o criou à sua imagem e semelhança. Pobres codornas! Milhões de anos usufruindo de um ambiente em que tudo se ajustava, onde se alimentavam de sementes, frutas e insetos, acasalavam-se e criavam seus filhotes sem alterar o sutil equilíbrio natural que mantém a cadeia alimentar funcionando como uma máquina onde cada peça se ajusta com primor ao todo, sem que haja supremacia de uma sobre outra. Milhões de anos servindo de alimento a guarás e cachorros do mato, sem que isso significasse apreciável declínio de sua população, pelo contrário, a predação mantinha o plantel saudável pela seleção dos mais aptos, estes sobreviviam e deixavam descendentes. Milhões de anos que não as prepararam para a adveniência de seres brutos, ignorantes e malignos que, sem qualquer hesitação, moveram montanhas para causar-lhes males irreversíveis, os quais resultaram na sua quase extinção.

As aves e toda a complexidade biológica do ambiente dos campos conseguiram se manter em constante interação dinâmica até a chegada do Homo, daí em diante impôs-se uma transformação assaz deletéria que, de tudo que existiu, pouca coisa restou. Primeiro foram os lobos guarás e cachorros do mato caçados impiedosamente porque “comiam galinhas” dos criadores; depois foi a caça ilegal que, aliás, num primeiro momento, constituiu-se um fator de equilíbrio, porquanto a eliminação dos predadores havia permitido o crescimento populacional descontrolado das aves; em seguida surgiram no horizonte as máquinas agrícolas que destruíam o ambiente e tornavam impossível a vida das aves em vastas áreas, ainda que restassem nichos nos quais os animais poderiam reproduzir-se com certa tranquilidade; por último, de forma devastadora, vieram os agrotóxicos que envenenavam as águas, o solo, matavam os insetos que serviam de alimento às avezinhas e impediam a formação das cascas de seus ovos. Foi o fim inglório de bichos inofensivos que só queriam viver e deixar que outros vivessem.

Agora vejamos, se a jumentice humana não fosse o que é, poderiam os agricultores da região ter mantido algumas áreas intocadas de modo que as codornas tivessem onde viver. Comedoras vorazes de insetos, elas se constituiriam no fator de controle de pragas eliminando a utilização dos tais agrotóxicos que envenenaram tudo a sua volta. Se a ganância aliada à falta de visão dos humanos não se erigisse na pior característica desse primata imbecil, hoje teríamos codornas saudáveis ajudando no controle de pragas das plantações, o uso de venenos estaria diminuído ou eliminado e até caçadores inconsolados com seu desaparecimento poderiam ter as aves excedentes como alvo de suas espingardas e uma excelente alternativa culinária. A racionalidade que pode gerar um mundo melhor de se viver, onde as espécies possam ocupar seus nichos sem expulsar as demais, parece não ser um atributo dos homens, lamentavelmente. JAIR, Floripa, 16/01/11.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Reciclagem de Pets com Crochê

Saboneteira pendurada com correntinhas de crochê

Em diferentes cores

Combinando com as laterais

As alças

E as flores

Saboneteira e porta-papel higiênico feitos com embalagens de amaciante e crochê. Vi na Rodoviária de Brasília. Uma senhora, que não quis ser fotografada, estava vendendo. São flores combinando com as laterais e as alças, tudo feito em crochê.

Fica aí a dica para ser associada a outras idéias. E assim, limpa-se um pouco mais nosso já tão degradado meio ambiente, não é verdade?  

Um ótimo dia com menos lixo e mais aproveitamento daquilo que costumamos descartar.

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terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Mascaradinho - Que pássaro é esse?





Nem sempre fotografar um pássaro é fácil. Além dele estar sempre em movimento, gosta de galhos altos. Foi o caso desse aí. Parece com bem-te-vi, mas observando-se melhor, notamos uma espécie de máscara alongada em volta de seus olhos. Você sabe seu nome?

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sábado, 22 de janeiro de 2011

Para Nossos Irmãos da Região Serrana do Rio de Janeiro

Que mãos

E borboletas vistas entre verdes folhas simbolizem a esperança de dias melhores para todos vocês da região serrana do Rio de Janeiro. 


E que a mão forte da árvore que segura suas folhas represente nosso país protegendo seu povo.  


Pedimos a Deus que também nos segure firme no caminho em direção ao outro.

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Veja também o post de hoje do blog Multivias - A Natureza em Fotos e Variedades sobre a tragédia da região serrana do Rio de Janeiro.

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quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

A Flor-do-natal de Floripa


Nota: Escrevi este artigo-alerta depois das inundações de 2008 em Santa Catarina. Dezenas de cidades em todo o estado foram atingidas, inclusive, em grandes proporções, sua capital, Florianópolis.


Cattleya guttata ou flor-do-natal 1

Florianópolis - Um pouco de geografia e de história

Imaginem uma cidade situada em uma baía, dentro de uma ilha. Edificada como num anfiteatro a 4 metros acima do nível do mar. Com morros e encostas cobertos por uma vegetação única, predominando flores raras como as orquídeas. Entre estas orquídeas, uma especial, que floresce em dezembro, por isto conhecida como Flor-do-natal! A aromática Cattleya gutata Lindley.

Não, não estamos falando de cidades de filmes românticos. Estamos falando da bela e real Florianópolis. Ou Floripa para os florianopolitanos. Cheia de orquídeas e outras lindas flores e plantas naturais de encostas.

A baía e a ilha têm o mesmo nome de seu estado: Santa Catarina. É ligada ao continente através da Ponte Hercílio Luz. Floripa é dividida em duas partes: a cidade antiga e a cidade nova. Esta é chamada de Praia de Fora.

Foi fundada em 1650, passando para vila em 1726. Em 1823 elevada a cidade.

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Descrevi uma Floripa que existia há algumas décadas. A Cattleya gutata Lindley, que era uma das orquídeas mais comuns, chamada de Flor-do-natal, era encontrada desde o estado da Bahia até Santa Catarina, atualmente sendo encontrada só em alguns poucos estados.

Hoje nossa Florianópolis é assim descrita:

"A situação litorânea e insular do município de Florianópolis propicia uma linha de costa formada por praias de águas calmas, baías, praias de mar aberto, costões, promontórios, mangues, lagunas, restingas e dunas. A ocupação urbana alterou quase que completamente sua pequena parte continental e tem causado impactos ao ambiente natural insular. Contudo, suas encostas íngremes ainda guardam características da Floresta Ombrófila Densa (Mata Atlântica) e da fauna por ela abrigada, e, nas pequenas ilhas vizinhas pertencentes ao município, ainda são mantidas condições de grande expressão ecológica.
(...........)

"Aspectos Culturais

Os primeiros habitantes da região de Florianópolis foram os índios tupis-guaranis. Praticavam a agricultura, mas tinham na pesca e coleta de moluscos as atividades básicas para sua subsistência.
(......................)

"A cidade, ao entrar no século XX, passou por profundas transformações, sendo que a construção civil foi um dos seus principais suportes econômicos. A implantação das redes básicas de energia elétrica e do sistema de fornecimento de água e captação de esgotos somaram-se à construção da Ponte Governador Hercílio Luz, como marcos do processo de desenvolvimento urbano.
...
Hoje, a área do município, compreendendo a parte continental e a ilha, encampa 436,5 km 2 , com uma população de 369.781 habitantes em 2003 (segundo estimativa do IBGE). Fazem parte do Município de Florianópolis os seguintes distritos: Sede, Barra da Lagoa, Cachoeira do Bom Jesus, Campeche, Canasvieiras, Ingleses do Rio Vermelho, Lagoa da Conceição, Pântano do Sul, Ratones, Ribeirão da Ilha, Santo Antônio de Lisboa e São João do Rio Vermelho."²

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A devastação de matas nativas não aconteceu só em Florianópolis. Aconteceu e continua acontecendo em ritmo cada vez mais acelerado por todo o Brasil e por todo o mundo. Principalmente nas grandes cidades.
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A natureza cobra. É necessário que sejam tomadas medidas urgentes urgentíssimas para desacelerar a tomada de encostas, morros e florestas. É complexo? Sim, mas não mais que se tirar petróleo do pré-sal.
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A Flor-do-natal de Floripa³
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A Flor-do-natal está em ti, Floripa Flor
É nativa de tuas terras
É forte e brava, não teme chuvas nem tempestades
Teme apenas a mão daquele que a destrói
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Destrói essa mão, Floripa Flora,
Recompondo teus rios e tuas matas, bela Flor Floripa
E verás que a Flor-do-natal renascerá em ti
Cobrindo teus túmulos, teu sangue e tua dor
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Porque a Flor-do-natal renasce no Natal
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Renasce preservando teu solo, tua fauna e flora, doce Floripa Flora
Poliniza tuas árvores, fecunda tuas flores
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Porque a Flor-do-natal simplesmente renasce no Natal
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Floripa Flora
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Pólen Floripa
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Florianópolis

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¹ Foto de João de Paiva Neto - Divinópolis-MG - In:
² Dados do site da Prefeitura Municipal de Florianóplis
(Os grifos da citação foram feitos por nós):
³A Flor-do-natal de Floripa é um poema que escrevi, sensibilizada com as proporções do desastre ecológico que aconteceu em 2008, atingindo grande parte da cidade de Florianópolis. Poema e post publicados no blog Multivias - A Natureza em Fotos e Variedades.
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quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Cada um no seu quadrado


Ilustração extraida da internet






No atávico confronto entre as idéias da ciência e os dogmas da religião, com frequência, surge a acusação que os cientistas tiraram Deus das pessoas e não ofereceram nada em troca. As indagações mais racionais que os crentes em uma entidade superior fazem são: Se tudo pode ser explicado pela razão; se tudo pode ser compreendido por mecanismos lógicos de causa e efeito, onde cabem as emoções como nossa capacidade de amar, sentir dor, desespero e solidariedade? A ciência pode fornecer meios que combatam nossas dúvidas existenciais, como a religião o faz? Se não há vida depois da morte, o que a ciência nos oferece? Então, a alma não existindo, o que nos diferencia dos outros animais? Somos apenas um acidente de percurso de uma evolução cega não programada?

Realmente, se encaradas assim sem maiores reflexões, essas perguntas parecem perturbadoras. Se adorarmos a ciência e a colocarmos no altar, ela estará substituindo Deus ou qualquer entidade que represente algo místico que preenche as lacunas onde a ciência não alcança, ou não alcançou ainda. Essa perturbação da ordem, (vamos chamá-la assim) tem dois aspectos relevantes que devemos considerar: Grande maioria, mas grande maioria mesmo, dos homens de ciência acredita numa entidade superior, apenas não mistura suas convicções religiosas com suas pesquisas que adentram os mecanismos que a natureza usa para ser o que é; além disso, nosso cérebro é constituído de dois hemisférios que tem funções distintas, o lado esquerdo desenvolve raciocínio lógico, faz contas e deduções a partir de dados; o lado direito é lírico, emocional e criativo, não está preocupado com resultado da soma dois mais dois, mas gosta de poesia e arte, além de acreditar em coisas místicas.

Assim fica fácil entender que sempre existiu e sempre existirá a dualidade entre querer compreender o que se passa e atribuir o obscuro, o misterioso a algum ente de poderes superiores e não questionáveis. Alguns poucos privilegiados conseguem ser técnicos excelentes e fazer boa poesia, ter sensibilidade para música (meu amigo RRB sabe de quem estou falando) e usar o lado do direito do cérebro tanto quando o esquerdo. Mas nós, bilhões de simples mortais, não temos tal habilidade, portanto, estamos sujeitos a “embolar o meio de campo” e, onde a lógica não nos atender, passamos a bola ao inexplicável da silva a quem damos nome de Deus, ás vezes.

Tenhamos em mente que a ciência é um método de adquirir conhecimento, de descobrir regras e diretivas da natureza, não é um substituto de Deus, não exige veneração nem fé, o que não se coaduna com as teorias e fórmulas não deixa de ser cada vez mais estudado e analisado. Já a religião, desde tempos imemoriais, explora o ignoto e o medo do escuro dos homens, não tenta explicar o inexplicável, apenas gera conforto onde há angústia e traz esperanças aos desesperados. A ciência explica o passível de ser explicado e não se mete na religião, segue paralela às crenças e, quando as confronta, é apenas para aclarar alguma coisa bastante simples, exemplo: o mundo não foi feito em seis dias, não há base que sustente essa proposição.

Não há necessidade de um propósito divino para justificar a busca que ciência faz pelo conhecimento. A ciência sempre será instigante e maravilhosa, e tem a humildade de se saber limitada, incompleta, sempre buscando algo mais, mas nunca supondo que alcançou o zênite. A ciência é mestre em construir modelos que se aplicam à natureza e aumentam o conhecimento que temos dela. A ciência é excepcional em argumentar, fazer perguntas depois tentar respondê-las, nunca se furta a tentar, experimentar e divulgar o que descobriu. A religião faz parte de outro departamento da mesma empresa, não deveria confrontar a ciência, pois estaria “jogando contra” e, desse modo, diminuindo a eficiência da empresa humanidade.

E a alma? E a vida eterna? E as angústias e medos? Ora, esse é o departamento das religiões, e a ciência nada tem a dizer, por enquanto. Como diz aquela música: Cada um no seu quadrado. JAIR, Floripa, 27/08/10.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Pica-pau?










Ele apareceu em nosso anjiqueiro. Fazia aquele som típico dos pica-paus. Tentei clicá-lo, mas as folhas da árvore o encobriam. É mesmo um pica-pau?
Uma semana com muitas aves para todos vocês.

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