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Pesquisas - Nossa primeira pesquisa é sobre o Pau-Brasil. Veja na página Pesquisas e caminhe de mãos dadas com a Terra.
segunda-feira, 27 de junho de 2011
sábado, 4 de junho de 2011
Falta a Luz - Uma visão sobre o meio ambiente
Amor de feras
Excluídos
Elitismos.
Somos todos
Sem-terras
Sem-tetos
Sem-tetas.
Sem grão
Sem pão
Desunião
Caem irmãos.
Somos a Terra
Sem sermos Ela
Somos da Terra
Que somos feitos.
Mãe, Mãe
Ensinai
A não negar-te
A proteger-te.
Perdoai-me
Perdoai-nos
Somos tão brutos
Mãe, Mãe...
Em toda criação
Natureza
Em toda fé
Deus.
Lançai uma luz
Vida sem mágoas
Homem perfeito
Sem lança no peito.
quinta-feira, 19 de maio de 2011
Energia Nuclear e Seus Problemas
Efeitos somáticos - Os efeitos somáticos surgem de danos nas células do corpo, e apresentam-se apenas em pessoas que sofreram a irradiação, não interferindo nas gerações posteriores. Os efeitos que ocorrem logo após (poucas horas a semanas) uma exposição aguda são chamados de imediatos. Os efeitos que aparecem depois de anos ou décadas são chamados tardios.
Sistema hematopoiético: leucopenia, anemia, trombocitopenia etc.
Estes efeitos são estudados usando camundongos como cobaias e seus resultados podem ser extrapolados para a espécie humana. Os efeitos genéticos nos camundongos dependem, além de outros fatores:
- da dose de radiação, existindo uma relação linear entre esta e a intensidade do efeito
- da taxa de fracionamento de dose, dependendo de serem ou não reparáveis as lesões provocadas pelas radiações
- da qualidade da radiação, sendo os nêutrons os mais eficientes para provocar a mutagênese que o raio-X ou g.
Introdução à Física Radioterapia
Brasil Escola
Apontamentos de sala de aula
terça-feira, 3 de maio de 2011
O lápis
No tempo de minha escola primária, como eram chamados os primeiros quatro anos do ensino fundamental, o uso do lápis para rascunhos das primeiras letras era obrigatório e necessário. Impensável colocar na mão da criança de sete anos, idade mínima para admissão à escola, uma daquelas canetas-tinteiro que ao menor descuido vazava tinta borrando cadernos e roupas; ou, pior ainda, canetas “de pena”, objetos de madeira com penas substituíveis que requeriam um tinteiro, reservatório potencialmente desastroso para o uniforme dos alunos. Diga-se, a maioria das escolas primárias adotava guarda-pós brancos como uniforme padrão, portanto, uma lambança de tinta nesse caso era uma pequena catástrofe, até porque as mães se descabelavam para manter apresentáveis os trajes formais de seus rebentos.
Pois bem, o lápis era, então, mais do que apenas um acessório próprio para rabiscar as difíceis linhas que formavam letras, que juntas umas as outras de certa maneira, formariam sílabas e palavras, o lápis era a chave mágica que abria o fascinante mundo da alfabetização. Comparável nos dias atuais com o teclado do computador que dá acesso ao mundo da internet, por exemplo. Cilindro de madeira com recheio de grafite, objeto de simplicidade franciscana e barato, permitia que crianças, das mais humildes às mais abastadas, fizessem as primeiras incursões no incrível universo da palavra escrita. Era ele que transmitia ao papel o resultado das intrincadas e recentes conexões dos neurônios, adquiridas pela visão dos símbolos no quadro-negro, e pela audição quando a professora Lair Scheröeder pronunciava os fonemas. Crianças canhestras que éramos, mordíamos a língua enquanto, com esforço visível, comprimíamos a grafite contra o papel muitas vezes roto de tanto ser apagado, porquanto ao modesto lápis dois acessórios eram indispensáveis: uma borracha e um apontador. Nenhum aluno poderia prescindir da borracha macia que fazia desaparecer os enganos abundantes nessas primeiras experiências literárias; nem do apontador menos ou mais sofisticado que tinha a finalidade de permitir que a grafite sobrasse na extremidade do cilindro de madeira de forma a poder atritá-la no papel deixando um rastro no feitio de linha; ainda que o preço do apontamento regular fosse encurtar o lápis até sua quase extinção natural e previsível. Lápis muito curto acabava sendo substituído por um novo, mas essa substituição se dava com maior frequência quanto maior fosse o poder aquisitivo do usuário, alunos pobres usavam-no até quase o fim enquanto os mais ricos faziam-no tão logo o lápis se desgastasse um pouco apenas.
Ao companheiro lápis, tantas vezes mordido na extremidade rombuda com certo nervosismo por não sabermos a resposta; tantas vezes deixado cair do tampo inclinado da carteira e, por isso, ter quebrado a grafite, tendo que ser apontado mais amiúde de modo a consumir-se mais cedo; tantas vezes usado de forma inapropriada como coçador de ouvido ou estilete para furar papel, meus mais sinceros agradecimentos e minha homenagem por tudo que ele representa para a cultura da humanidade, construção da civilização e tudo o que fez por mim. Ao humilde lápis lamento não ser bafejado pelas graças da musa para poder festejá-lo com rimas e métrica como de fato tanto merece. JAIR, Floripa, 03/02/11.
quarta-feira, 27 de abril de 2011
Trono de um Rei?
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Sou um rei que destrói. Que rei sou eu? |
domingo, 17 de abril de 2011
O Cavoucador
(Uma homenagem a Mia Couto, escritor moçambicano)
Estranhamente era a primeira vez que Joel e eu andávamos por aquelas lonjuras, não nos déramos conta do quando tínhamos caminhado até chegar num local cuja feição fugia às familiares parecenças dos campos vizinhos à Cidade, nossos conhecidos desde sempre. Aqui, o verdoengo dos Campos Gerais dera lugar a um castanho de terra sem viço, árida mesmo. Só capim ralinho se dava ao trabalho de tentar cobrir aquele chão seco que rangia debaixo de nossos pés, pisoteantes cansados. Morros e morrotes ondulantes se viam até não mais ver, num semsentido de repetições contínuas.
Distraídos, proseávamos papo sem fundos quando ruídos subitantes interrompem nossa conversa desprevenida, pareciam vozes trás o pequeno monte, logo à nossa frente. Subimos com cuidado, meio receosos. Era um homem que, do outro lado do morrinho, cavava um imenso buraco, resfolegando com fúria insana sobre a terra crestada e renitente. A estranha cova era muito funda e encompridada de forma que era impossível ver onde iniciava, se é que tinha uma origem. Parecia que o cavoucador queria repartir o Planeta ao meio, coisa estranhosa.
Gritamos, solicitando-lhe atenção. Do fundo do buraco o esquisito homem, também um tanto surpreso com nossa aparição desanunciada, pediu que esperássemos. Veio subindo de vagarinho com cuidado de mestre que acarinha sua obra primorosa. Ao se aproximar, talvez enxergando a interrogação em nossos semblantes, em nossas bocas em forma de “O”, esclarece: - Estou construindo um rio. Não podíamos ficar mais boquiabertos, mas o homem, sem qualquer sinal que estivesse pilheriando, insiste. Sim, por aquele leito afundado e comprido haveria de passar um rio, para isso só faltaria água. E todos sabemos, não se fabrica água, esta vem do céu. As águas encheriam o rio que escorreria pujante até o oceano distanciado, carregando peixes e barcos. As gentes ribeirinhas agradecidas e esperançosas em suas vidas aguadas, festejariam felizes para sempre.
Era um sonhador tão seguro de seus sonhos que havia começado a cavoucar no terreno de sua própria casa. Sua família, estranhando aquela conduta insensata, o deixara, mas nem por isso ele desistira de seu onírico sonho, cada dia mais cavava e mais tinha certeza de seu propositório: um rio ali nasceria, era uma verdade cruenta. - Já posso ver um fiozinho de água que surge tímido lá no fundo, dizia-nos euforizado. O sujeito desafiava a ordem bem ordenada das coisas que a natureza havia criado. Não desistia, cavando dia e noite, só parando para dormir, havia transposto vales e colinas, vencido barrancos e ali estava, frajolento. Seu “rio” tomava forma, sua obra entrara nos arremates. Agora, cansado, sentado à borda, cuidava com orgulho de sua criação, achava que dobrou a natureza, sente-se o mais realizado dos viventes vivos.
Aquilo nos pareceu um projeto muito louco, não era factível trazer à vida um rio daquela forma. Construir rios! Onde já se viu tamanho despautério assim herético! Para nós era hora de deixar para trás aquela necedade e voltar sobre nossas passadas até onde não existem pessoas doidas daquele jeito desatinado. Não déramos ainda dois passos e o céu se fechou em nuvens enfarruscadas e raiventas. Começa uma tempestade torrencial que parece oriunda da liquefação do teto que chamamos de céu. A borrasca assoma com violência inusitada, relâmpagos relampejam açoitando a paisagem indefesa. Sem haver como nos abrigar da catadupa que arremeteu diluviando sobre todos e sobre tudo, ficamos parados vendo a enxurrada que se formava. Nos ajuntamos, a medo, tremendo, no derradeiro e final gesto dos que estão a mercê dos elementos exaltados, ameaçadores.
De repente, o homem nos aponta o valão que se enchia, as vagas furiosas encontraram aquele leito vago e o tornaram ancho em minutos mínimos. O escavador ergue os braços para cima como se querendo agradecer àquelas nuvens ubérrimas que lhe haviam completado a obra primeira. Corre desabridado em direção ao seu redivivo rio e se lança naquelas águas corcoveantes e maldosas. É a última vez que o vemos.
Em seguida, a virulenta chuvarada cessa e o curso d’água, já mais conformado ao leito que o contém, avança decidido e marulhante com fluidez oleosa em direção ao horizonte longínquo. O cavoucador havia construído um rio. JAIR, Floripa, 15/03/11.sábado, 26 de março de 2011
Não existe almoço grátis
Muito bem, durante a crise do petróleo nos anos setenta, crise que assustou o público consumidor do produto e despertou a consciência das nações para o quanto eram dependentes do óleo extraído, em maior parte, de uma região instável politicamente e conflagrada por guerras recorrentes, o mundo ocidental não auto-suficiente se viu compulsado a adotar medidas que permitissem diminuir ou eliminar sua dependência do óleo oriundo do Oriente Médio.
Fora as pirotecnias demagógicas que muitos líderes adotaram como recomendar aos usuários que deixassem seus carros em casa, andassem de bicicleta ou a pé, houve medidas econômicas como aumentar o preço dos combustíveis de modo a tornar proibitivo que os mais pobres usassem seus veículos. A indústria automotiva botou a boca no trombone, ameaçou fechar muitas fábricas, – em alguns casos fechou mesmo – demitir gente e lembrou que isso diminuiria a arrecadação de impostos. Os governos acuados recuaram o mais das vezes, e tomaram medidas para buscar novas jazidas do produto ou fontes alternativas antes desprezadas. No Brasil intensificaram-se os investimentos na prospecção do óleo e, ao mesmo tempo, procurou-se aperfeiçoar tecnologia que permitisse uso do álcool como combustível de automóveis.
Como pioneiro na conversão de motores ao consumo de álcool, o principal problema das autoridades foi estimular os ricos usineiros a destinar partes substanciais de suas colheitas à produção do álcool combustível (etanol). Enquanto o governo promovia estudos econômicos para a produção em grande escala, oferecendo tecnologia e até mesmo subsídios às usinas produtoras de açúcar e álcool, as indústrias automobilísticas instaladas no Brasil na época - Volkswagen, Fiat, Ford e General Motors - adaptavam seus motores para receber o etanol. Daí, surgiriam duas versões no mercado: motor a álcool e a gasolina. Veja bem, DUAS versões de motores, versões diferentes porque álcool e gasolina são quimicamente diferentes e, como tal, NÃO PODEM queimar plenamente e, em consequência, fornecer plenamente seu potencial energético no mesmo motor. A engenharia mecânica, considerando que o álcool tem maior poder calórico e que o equilíbrio estequiométrico da gasolina é diferente do álcool, resolveu a adaptação ao álcool aumentando a taxa de compressão, desenvolvendo uma vela de ignição melhor, substituindo o óleo lubrificando por outro de melhor performance, mudando os materiais empregados na confecção de mangueiras, protegendo todas as partes que entram em contato com o novo combustível de forma que este não causasse corrosão. Algumas dessas adaptações podem ser consideradas perfunctórias e não alteram a queima da gasolina, outras melhoram o desempenho, mas a mais importante e irretorquível foi o aumento da taxa de compressão do motor. O etanol exige um taxa maior, sem a qual sua queima é imperfeita e fornece menos potência. Em contrapartida, a gasolina exige uma taxa menor, sem a qual sua queima é imperfeita e fornece menos potência. Um motor bicombustível é, no mínimo, uma máquina desequilibrada que fornece menos potência por litro de combustível queimado e, na pior das projeções, uma trapizonga construída para atender motivos econômicos-políticos inconfessáveis com disfarce de “bom mocismo” preocupado com o meio ambiente. Para lembrar, esses carros não poluem menos que os demais.
terça-feira, 22 de março de 2011
Aceroleira, Uma Fábrica de Vitamina C



Acerola, aceroleira. É também chamada de cereja das Antilhas. Nativa da América Central, América do Sul e das ilhas do Caribe. Além de um grande teor em vitamina C - com apenas duas acerolas supre-se a necessidade diária dessa vitamina - possui também vitamina A, B1, B2, B3, fósforo e ferro.*
Fotos feitas durante o florir e o frutificar de minha aceroleira.
quinta-feira, 17 de março de 2011
Sobre escolas
Assim que a humanidade chegou ao estágio de aglomerações sociais, sejam cidades ou aldeias expandidas, as necessidades de serviços impuseram a aparição de artesãos, escribas e prestadores de serviços, sem os quais as demandas das pessoas deixariam de ser atendidas. É racional supor que os primeiros sapateiros, roupeiros, chapeleiros, barbeiros, peleteiros e inúmeros outros artífices tenham desenvolvido suas habilidades a partir de experimentos e observações próprias. Contudo, na medida em que as necessidades materiais e intelectuais das pessoas se tornavam maiores, mais refinadas e complexas, os mais habilidosos artesãos se viam na contingência de não conseguir atender a todos, tornava-se necessário formar novos trabalhadores para satisfazer tantos consumidores. Há registro que até Leonardo da Vinci instituiu uma “escola” na qual ensinava seus discípulos nas artes e ciências que era mestre inconteste e auto didata. Mestre, esta é palavra chave. Quando um artesão, por sua habilidade e experiência, adquiria excelência no que fazia, costumava ser classificado como mestre. Era privilégio que poucos pretendentes conseguiam: Serem admitidos na oficina ou atelier de um mestre.
Escolas não surgiram ad hoc, por capricho de alguns governantes generosos ou por diletantismo de mestres entediados, escolas foram respostas às necessidades imperiosas das sociedades. A própria escrita, que fora privilégio de castas sacerdotais ou de escribas das cortes durantes séculos, passou a ser ensinada em escolas. Não se pode afirmar que escolas tenham se tornado populares tão logo passaram a existir, admite-se que foram privilégios de poucos, geralmente nobres, os quais se viam sob a tutela de mestres que os introduziam nas artes e ciências milenares. Contudo, há evidências que no Egito antigo, na Suméria, na Mesopotâmia e até entre Astecas e Incas, tenha havido locais destinados a ministrar aos jovens matérias de interesse que os tornassem conhecedores capazes, úteis à sociedade.
Não é estultice afirmar que civilização e escolas têm relações tão estreitas que é inconcebível existir uma sem a contrapartida da outra. Aliás, no mundo moderno, a qualidade do ensino e a quantidade de escolas estão relacionadas diretamente ao nível de desenvolvimento das sociedades e à qualidade de vida das populações. A humanidade só pode se afirmar civilizada com o advento de escolas. Impensável admitir algo diferente dessa ligação poderosa e formadora do que veio a ser o diferencial do homem com relação a seus parentes primatas: Um cérebro inteligente organizado. A inteligência por si só, não organizada, é apenas um potencial a ser explorado. A inteligência necessita orientar-se com método e organizar-se segundo conhecimentos já consagrados para conduzir seu dono a descobertas e lucubrações utilizáveis. As escolas, numa concepção ideal, não devem apenas ensinar, apenas colocar na cabeça dos jovens conhecimentos estáticos, deve propor aos aprendizes modos de pensar sobre as coisas, deve estimular o pensamento criativo e abstrato.
No mundo atual escolas estão disseminadas em todas as culturas e todas as nações, mesmo nos países mais pobres escolas são entendidas como fatores essenciais para manter o tecido social sadio, não há substituto que mantenha a coesão social de um povo. As trevas do desconhecimento são o que há de mais pernicioso numa sociedade, escolas são como faróis que iluminam o caminho a seguir rumo à segurança de um futuro onde as pessoas possam explorar o potencial de suas habilidades e de seus cérebros organizados. Déspotas, ditadores e mandatários autocráticos, se não forem muito obtusos, percebem que escolas tendem a permitir que seus súditos pensem, e, pensando, pode ser que eles não concordem com a opressão. Por isso, o mais das vezes, esses mandantes ilegítimos e prepotentes limitam o acesso do povo às escolas. Povo ignorante é povo controlável.
Um exemplo clássico do poder extraordinário do ensino numa sociedade se deu depois da segunda guerra, quando Alemanha e Japão emergiram quase que reduzidos à idade medieval, seus parques industriais e infra estruturas estavam totalmente destruídos. Na Alemanha o pouco que havia restado de suas indústrias fora desmontado e levado pelos russos, a título de “reparações” de guerra; no Japão os bombardeios convencionais americanos e as bombas atômicas haviam reduzido a zero suas instalações, de modo que não havia por onde começar a produção tão necessária à recuperação econômica. Contudo, tanto no Oriente como na Europa central, existiam em abundância escolas e professores, e na população que sobrevivera à guerra havia milhares de técnicos e formados em universidades capazes de alavancar o progresso, como se viu no surto de desenvolvimento que se seguiu à derrota. As escolas haviam feito a diferença. O Plano Marshall e o Plano de Recuperação Econômica instituídos pelos americanos, apenas ofereceram capital onde existiam cérebros prontos a trabalhar, o resultado foi o maior boom econômico da história e duas potências industriais que se impõe até hoje.
Ouso dizer que no Brasil nunca houve preocupação séria com o futuro, nunca se investiu pesado na construção de escolas, formação de professores e numa política educacional que valorizasse a carreira de mestres desde o ensino básico até o universitário. Construir estradas (ruins) e apostar na indústria automobilística constituiu objetivo prioritário de nossos governantes desde que o país entrou na era industrial tardia, escolas e professores não entraram seriamente na lista de temas políticos das campanhas desde o advento da República.
Com surgimento da internet e a disseminação da informática por todos os setores da sociedade, muitos administradores, políticos e educadores estão certos que a escola passou a ter uma importância secundária na educação de nossos jovens. É quase implícito admitir que os meios eletrônicos que adentram os lares substituem com vantagem as escolas. A estupidez desse raciocínio é tão piramidal que não merece nem ser comentada. JAIR, Matinhos, 31/12/11.
domingo, 6 de março de 2011
Gentileza
O Homo sapiens não optou por viver em comunidades, em aglomerar-se em aldeias e cidades por mero diletantismo, a necessidade o compulsou. O homem é um ser social porque isolado ele não sobreviveria, os grupos representam segurança, a força da união de muitos seres é maior que a soma de cada força individual. Então, a despeito das diferenças desagregadoras que geram atritos, às vezes fatais, a convivência traz tantas vantagens que é inimaginável pensar no homem isolado de seus semelhantes.
Contudo, a opção – se é que não foi uma imposição natural – pela vida em grupo teve que ser adaptada às idiossincrasias dos seres que compõe esses agrupamentos. As primeiras organizações sentiram que regras deviam pautar as relações individuais sem comprometer a coesão grupal: nasceram as leis, estatutos e regulamentos, porquanto anarquia não era uma opção. Ao lado da regulamentação legal admitida por consenso, ou imposta por mandantes, outras regras não escritas foram surgindo espontaneamente. Muito obrigado, com licença, por favor, bom dia, como vai? e outras expressões são manifestações verbais do comportamento humano que atendem pelo nome genérico de gentileza. A gentileza é o conjunto de atitudes convencionais essencial para a sobrevivência da espécie nas suas relações, na medida em que “lubrifica” as peças da máquina social evitando ou diminuindo o atrito que pode emperrar o mecanismo. E tem mais, o profeta paulista que vivia nas ruas do Rio, José Datrino, (1917-1996) enxergou mais longe e vaticinou: Gentileza gera gentileza. Assim, um mero bom dia pode prenunciar uma jornada diária de boas relações entre indivíduos que devem conviver, ou que estão, de alguma forma, confinados num espaço que os torne próximos ou ao alcance da visão uns dos outros.
Tendo observado a sociedade americana nas viagens que fiz aos EUA, ouso afirmar que o cidadão americano é muito mais gentil que o brasileiro, em que pese a afirmação de certos sociólogos que o brasileiro é um povo gentil. Thank You é uma expressão muito mais ouvida lá do que muito obrigado aqui. Não sei dizer se existe qualquer estudo mostrando que onde impera a gentileza as pessoas são menos estressadas e mais produtivas, mas estou fortemente inclinado a admitir que possa ser uma explicação porque há países em que as relações entre indivíduos se traduzem em progresso e bem estar da maioria da população. Os países escandinavos, conhecidos pelo seu regime de leis que instituem o capitalismo social e pelo nível de satisfação de seus cidadãos, estão entre os países cuja população é a mais gentil do Planeta. É uma questão para ser pensado por nós, cidadãos desse país tropical bonito por natureza.
Que o trânsito citadino de nossas urbes é um caos todos sabemos, entretanto, o ícone mais gritante de nossa falta de gentileza está na ausência de uso da seta por parte dos motoristas. Pode parecer meio esquisito, mas é justamente a falta de indicação da direção que o motorista vai tomar que mostra nosso desprezo pelas regras de trânsito e nossa falta de respeito pelo pedestre quando dirigimos. O uso da seta, antes de obedecer regra escrita de bem dirigir, é um ato de gentileza para com outros motoristas e, sobretudo para o pedestre. Lembrando que todos somos pedestres antes de sermos motoristas, a gentileza de avisarmos nossa intenção no volante é uma cordialidade que deveríamos observar como regra pétrea. A mente do motorista brasileiro funciona mais ou menos assim: ninguém está olhando, então não há regras, dirijo como quero. A par dessa atitude obscurantista e não explicável do motorista que não liga para as demais pessoas, sejam pedestres ou outros motoristas, existe uma curiosidade digna de ser registrada: o motorista sempre avisa o ocupante de outro carro se este estiver com a porta semi aberta ou não travada. É uma regra não escrita observada pela totalidade dos motoristas, aliás, pode ser que o motorista avisado seja o mesmo que sofreu uma fechada momentos antes, ou fechou o avisante pouco tempo atrás. Parece que, “sua porta está aberta” redime o chofer de todos os pecados que tenha cometido no trânsito até então.
Pois é, num mundo ideal, o comportamento das pessoas assumiria a gentileza como atitude basilar no relacionamento com seus semelhantes. Em decorrência, no trânsito ou no dia-a-dia, com toda certeza, teríamos muito menos atritos e acidentes. A irritação e o estresse diário que muitos de nós carregamos como um peso morto que oprime e baixa nossa qualidade de vida, seriam coisas do passado e o mundo passaria a ser um lugar mais agradável de se viver. Gentileza gera gentileza é um bom mote para pautarmos nossas atitudes diárias de convívio com nossos iguais. JAIR, Matinhos, 01/01/11quarta-feira, 2 de março de 2011
Sos Rios do Brasil
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
Codornas

Codornas são pássaros da espécie Coturnix da família das galinhas mesmo, aqui no Brasil costuma-se criar as européias chamadas codornas italianas, cuja carne é deliciosa e ovos, comidos como aperitivo, têm fama de afrodisíacos, mas em nossos campos, principalmente no sul do país, existem-nas em estado selvagem, cobiçadas presas de caçadores destituídos de consciência ecológica. Pois é, minha Palmeira natal era cercada por campos gerais, grande parte em estado natural, nos quais as codornas encontravam o hábitat ideal para se reproduzirem sem maiores transtornos, ou seja, viviam sem serem perturbadas por ninguém ou por criações de gados que pisassem em seus ninhos. Quer dizer, essa condição ideal, embora sendo regra naquele tempo, não livrava as pobres aves das exceções que as transformavam de pássaros livres em jantar de algum palmeirense com uma arma na mão e um cachorro perdigueiro no chão. Inclusive um tio meu que era caçador afamado até que se deu conta que as aves também tinham direito à vida e deixou a caça para sempre.
Como já tive oportunidade de dizer no texto “A Cetra”, nunca matei um pássaro, não tenho na consciência o peso de ter tirado a vida de qualquer avezinha dessas que a natureza criou para voarem e embelezarem os céus ou adornarem as árvores como se fossem frutos coloridos, pulsantes e cantadores. Contudo, o mundo que queremos, ou aquele mundo utópico onde todas as coisas estão nos seus lugares, onde as relações entre os seres que nele vivem não contemplam a extinção de uns para benefício de outros, não existe, o mundo que vivemos é cruel, foge do modelo edênico. As codornas que habitavam os campos que rodeavam Palmeira tornaram-se provas da iniquidade do Homo sapiens, o qual tantas vezes se arroga produto supremo da Entidade que o criou à sua imagem e semelhança. Pobres codornas! Milhões de anos usufruindo de um ambiente em que tudo se ajustava, onde se alimentavam de sementes, frutas e insetos, acasalavam-se e criavam seus filhotes sem alterar o sutil equilíbrio natural que mantém a cadeia alimentar funcionando como uma máquina onde cada peça se ajusta com primor ao todo, sem que haja supremacia de uma sobre outra. Milhões de anos servindo de alimento a guarás e cachorros do mato, sem que isso significasse apreciável declínio de sua população, pelo contrário, a predação mantinha o plantel saudável pela seleção dos mais aptos, estes sobreviviam e deixavam descendentes. Milhões de anos que não as prepararam para a adveniência de seres brutos, ignorantes e malignos que, sem qualquer hesitação, moveram montanhas para causar-lhes males irreversíveis, os quais resultaram na sua quase extinção.
As aves e toda a complexidade biológica do ambiente dos campos conseguiram se manter em constante interação dinâmica até a chegada do Homo, daí em diante impôs-se uma transformação assaz deletéria que, de tudo que existiu, pouca coisa restou. Primeiro foram os lobos guarás e cachorros do mato caçados impiedosamente porque “comiam galinhas” dos criadores; depois foi a caça ilegal que, aliás, num primeiro momento, constituiu-se um fator de equilíbrio, porquanto a eliminação dos predadores havia permitido o crescimento populacional descontrolado das aves; em seguida surgiram no horizonte as máquinas agrícolas que destruíam o ambiente e tornavam impossível a vida das aves em vastas áreas, ainda que restassem nichos nos quais os animais poderiam reproduzir-se com certa tranquilidade; por último, de forma devastadora, vieram os agrotóxicos que envenenavam as águas, o solo, matavam os insetos que serviam de alimento às avezinhas e impediam a formação das cascas de seus ovos. Foi o fim inglório de bichos inofensivos que só queriam viver e deixar que outros vivessem.
Agora vejamos, se a jumentice humana não fosse o que é, poderiam os agricultores da região ter mantido algumas áreas intocadas de modo que as codornas tivessem onde viver. Comedoras vorazes de insetos, elas se constituiriam no fator de controle de pragas eliminando a utilização dos tais agrotóxicos que envenenaram tudo a sua volta. Se a ganância aliada à falta de visão dos humanos não se erigisse na pior característica desse primata imbecil, hoje teríamos codornas saudáveis ajudando no controle de pragas das plantações, o uso de venenos estaria diminuído ou eliminado e até caçadores inconsolados com seu desaparecimento poderiam ter as aves excedentes como alvo de suas espingardas e uma excelente alternativa culinária. A racionalidade que pode gerar um mundo melhor de se viver, onde as espécies possam ocupar seus nichos sem expulsar as demais, parece não ser um atributo dos homens, lamentavelmente. JAIR, Floripa, 16/01/11.
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
Reciclagem de Pets com Crochê
Saboneteira pendurada com correntinhas de crochê |
Em diferentes cores |
Combinando com as laterais |
As alças |
E as flores |
Um ótimo dia com menos lixo e mais aproveitamento daquilo que costumamos descartar.
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terça-feira, 25 de janeiro de 2011
sábado, 22 de janeiro de 2011
Para Nossos Irmãos da Região Serrana do Rio de Janeiro
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Que mãos |
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E borboletas vistas entre verdes folhas simbolizem a esperança de dias melhores para todos vocês da região serrana do Rio de Janeiro. |
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E que a mão forte da árvore que segura suas folhas represente nosso país protegendo seu povo. |
Pedimos a Deus que também nos segure firme no caminho em direção ao outro.
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Veja também o post de hoje do blog Multivias - A Natureza em Fotos e Variedades sobre a tragédia da região serrana do Rio de Janeiro.
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